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Redes de Aprendizagem Colaborativa: Ferramentas da Web enquanto Cenários Virtuais no Processo de Ensino-Aprendizagem

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Autores

Especialista em Tecnologias e Educação Aberta e Digital (UFRB - UAb Portugal). Graduação em Pedagogia (FLATED). Professor da Rede Municipal de Remanso-BA. E- mail: marcosferreira_86@hotmail.com.

Doutor em Filosofia (USP). Mestre em Filosofia (USP). Bacharel e Licenciado em Filosofia (USP). Professor adjunto do Centro de Formação de Professores (CFP/UFRB). E-mail: pablo@ufrb.edu.br.

Resumo: O uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs), associadas às ferramentas da rede Web, tornam-se uma alternativa pedagógica e metodológica propícias à criação de ambientes de aprendizagem online e de redes de aprendizagem aberta e colaborativa. O presente artigo tem por objetivo analisar os efeitos e mudanças introduzidas pelas TDICs e o uso de ferramentas da Web enquanto espaços de aprendizagem colaborativa e em rede em sala de aula, aborda, também, de que forma elas podem ser usadas como metodologias de ensino. Tal pesquisa foi feita por meio de revisão bibliográfica de base qualitativa, procurando descrever e explicar os usos positivos e/ou negativos das redes sociais e ferramentas tecnológicas da rede Web em contextos educativos. Ao fazer uso das referidas ferramentas, na tentativa de inseri-las na sua prática pedagógica, o professor exerce a função de mediador dessas atividades virtuais. Do mesmo modo, ao utilizar ferramentas como o Facebook, blogs ou por meio da criação de wikis, o educador terá a função de e-moderador das atividades solicitadas, que podem ser partilhadas e produzidas nesses ambientes virtuais.

Palavras-chave: Tecnologias Digitais. Ferramentas Web. Redes de aprendizagem colaborativa.

Introdução

No mundo globalizado a partilha de informações tornou-se cada vez mais veloz, seja no comércio, na indústria ou em qualquer outro segmento da sociedade. Nesse contexto, as TDICs (Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação) tornam-se mecanismos de suporte dessa partilha de informações, e a educação, na medida em que faz parte desse mundo, merece uma atenção especial.

Cada vez mais as redes sociais vêm sendo usadas pelas pessoas que habitam o virtual; o compartilhamento instantâneo de mensagens e posts faz com que a dinâmica de interação entre os usuários das redes sociais seja de tal forma, que provoca mudanças de comportamento e de atitudes. É preciso entender que "as tecnologias Web 2.0 gratuitas facilitam a aprendizagem colaborativa entre colegas próximos e distantes" (MORAN, 2015, p. 38). Ou seja, se utilizadas como ferramentas de partilha de conhecimentos, elas só vêm a dinamizar o ensino-aprendizagem. Imersos em um mundo digital como os jovens, os educadores podem usar desses novos cenários educacionais? Professores que aprenderam sem a tecnologia podem usá-las como ferramentas metodológicas?

Pierry Lévy (1999) enfatiza que a palavra "impacto" é usada de forma inadequada no tocante ao uso das tecnologias, pois elas não devem ser comparadas a um projétil (míssil), sendo fruto da produção humana. As TDICs, cada vez mais, vêm modificando a vida das pessoas, e a escola, enquanto receptora de seres que interagem com essa nova dinâmica tecnológica dos aplicativos de redes sociais, não fica a par dessas novas tecnologias. Sobre a tecnologia ser fruto da criação humana, o referido autor nos faz entender que, "em vez de enfatizar o impacto das tecnologias, poderíamos igualmente pensar que as tecnologias são produtos de uma sociedade e de uma cultura" (LÉVY, 1999, p. 20).

Sendo uma produção humana, as tecnologias digitais da informação e comunicação, ultimamente, fizeram com que a sala de aula não ficasse de fora dessa dinâmica, pois ela é composta por alunos em sua maioria nativos digitais. Este artigo tem como objetivo analisar o uso das tecnologias digitais e as ferramentas da Web enquanto espaços de aprendizagem colaborativa e em rede na sala de aula. Busca-se também, neste trabalho, discutir sobre pontos positivos e/ou negativos que tais mecanismos provocam com uso destas enquanto ferramenta pedagógica em espaços formais de educação. Através disso, procura-se entender de que forma as tecnologias digitais da informação e comunicação, bem como a rede Web, pode contribuir de forma positiva na partilha de conhecimentos nos contextos educativos, tais como o uso de blogs, wikis, redes sociais como o Facebook, bem como a Internet e os weblogs. O trabalho foi feito a partir de levantamento de material bibliográfico de sites de pesquisa e acadêmicos, tais como a plataforma "Scielo" e "Research", sendo a referida pesquisa de base qualitativa, descritiva e explicativa.

Ao optar pela introdução de mídias digitais e cenários virtuais da Web, é preciso estar atento a como professores devem inserir essas tecnologias, de que forma esses espaços são explorados para favorecerem aprendizagem aberta, coletiva e colaborativa. A aprendizagem por meio das redes sociais pode ser entendida como uma filosofia educacional enriquecedora para a aprendizagem, oportunizando a construção de conhecimentos (BARROS et al., 2014). Dessa forma, como ocorre o processo de ensino-aprendizagem mediatizado pelo professor ao utilizar as redes sociais como espaços de aprendizagem? Quais as vantagens e desvantagens do uso desses recursos digitais ao serem usados como metodologias de ensino que promova a partilha do conhecimento mediatizado? Barros et al. (2012, p. 82) enunciam que "a coaprendizagem contribui para o desenvolvimento da competência interpessoal e social desde a participação ativa no contexto virtual dos estudantes".

As redes colaborativas de conhecimento, por meio dos cenários digitais, apresentam-se como partilha de um projeto ou estratégia de aprendizagem definidos pelos membros de um grupo (DIAS, 2012.). Partindo desse conceito, o autor enfatiza a criação de redes de aprendizagem online onde há partilha e produção de conhecimento. Santos (2015) define como "docência interativa" a participação do professor em ambientes presenciais e online, atuando na comunicação com a geração digital surgida nos contextos da Web 2.0. A chamada "docência interativa" é uma alternativa pedagógica para o educador que tenciona inserir tecnologias digitais e ferramentas Web em sua metodologia de ensino.

O uso das mídias e redes sociais em contextos educativos

O uso de metodologias ativas modifica a dinâmica em sala de aula, tornando jovens e estudantes protagonistas no processo de ensino, e pode ser fator decisivo para a qualidade deste. No livro Polegarzinha, enfatiza-se que "enquanto as gerações anteriores assistiam as aulas em salas de aula homogêneas, hoje eles estudam em uma espécie de coletividade multicultural" (SERRES, 2013, p. 15). Existe um "choque de gerações", por onde a geração "Millenials" ou nativos digitais é totalmente diferente da dos seus antepassados. Segundo (Serres, 2013), ela se caracteriza por habitar o virtual, por usar a Internet e o Facebook, portanto não ativa os neurônios usando um livro ou o caderno.

É importante salientar que o uso da tecnologia em sala de aula deve ser favorável ao crescimento intelectual desse ser em evolução. Deve-se ter em mente que a tecnologia deve ser uma aliada nesse processo de ensino. Coutinho e Lisboa (2011), ao tratar dessa questão, enunciam que:

O desafio imposto à escola por esta nova sociedade é imenso; o que se lhe pede é que seja capaz de desenvolver nos estudantes competências para participar e interagir num mundo global, altamente competitivo, que valoriza o ser-se flexível, criativo, capaz de encontrar soluções inovadoras para os problemas de amanhã, ou seja, a capacidade de compreendermos que a aprendizagem não é um processo estático mas algo que deve acontecer ao longo de toda a vida (COUTINHO; LISBOA, 2011, p. 1).

Quando se ensina para a "geração polegar", deve-se ter em mente que "os que se arrastam na transição entre as últimas etapas são quem decidem as reformas, seguindo modelos há muito tempo superados" (SERRES, 2013 p. 16). No entanto, é oportuno levar em conta como a escola usará essas mídias e esse ciberespaço de forma a construir redes colaborativas de conhecimento digital. Sendo assim, esses estudantes precisam estar atentos ao uso positivo e construtivo das tecnologias em favor da sua própria aprendizagem. Novas formas de interação e ação, novos tipos de relacionamentos sociais, alterando as formas de acesso e circulação da informação, refletindo sobre as maneiras de construção do conhecimento, surgindo um novo tipo de sociedade, a sociedade em redes (BARRETO, 2005).

É preciso refletir sobre potencialidades do uso dessas ferramentas Web, pois à medida que aumenta a rapidez de informações nesse mundo globalizado, Coutinho e Lisboa (2011) trazem o conceito de Sociedade da Informação (SI), em que as novas tecnologias tornaram possíveis novas formas de acesso e distribuição do conhecimento.

Segundo Coutinho e Lisbôa (2011), embora sejam alternativas pedagógicas, as ferramentas proporcionadas pela Internet apresentam pontos negativos que devem ser ressaltados. Apesar do fato de independentemente do status ou classe social a que pertença qualquer um podem aceder a todo e qualquer tipo de informação, muitas pessoas continuam não tendo condições de acesso a essa rede de informações; por outra, o fato de ter acesso à informação não garante que resulte em conhecimento e aprendizagem.

Cavalo et al. (2015) chamam a atenção para o uso da tecnologia que facilite o autoaprendizado e a formação de comunidades e redes de aprendizagem. A criação dessas redes de aprendizagem eletrônica pode favorecer ações pedagógicas no processo de criação e transformação de conhecimento.

É interessante entender que tais ferramentas da Web abrem um leque de possibilidades que permitem o conhecimento mediatizado e prazeroso, usando aplicativos que proporcionam aulas mais dinâmicas e técnicas. Cavalo et al. (2015, p. 149) também enfatizam que "Metodologias que promovem uma aprendizagem ativa e engajada pelos alunos apresentam-se como claramente melhores".

Sobre os novos cenários de aprendizagem, é preciso entender que:

As dinâmicas estratégicas para organização de cenários de aprendizagem diferenciados, no processo de ensinar e aprender, exigem uma estrutura pedagógica intensa e extensa. Sobretudo, com as possibilidades das tecnologias digitais, em consonância com o advento da cibercultura, permitiram desenvolver estruturas de redes colaborativas on-line, desafiando assim a reorganização de estratégias didático pedagógicas para os novos cenários de aprendizagem (FREITAS, et al. 2018, p. 112).

Como exposto acima, o advento da cibercultura fez com que surgissem esses novos cenários, permitindo o aparecimento de redes colaborativas de conhecimento, desafiando professores a inserirem ou adequarem na sua prática docente novas estratégias didáticas de ensino. Na cultura digital, é necessário que o docente realize a mediação dos percursos de aprendizagem dos alunos, tornando-se um orientador-colaborador-participante no processo de ensino-aprendizagem (FREITAS, et al., 2018). Dessa forma, a função do educador será a de orientador do processo de ensino, enfatizando a importância da sua prática pedagógica.

Redes virtuais de aprendizagem em ambientes colaborativos

Ao fazer uso das ferramentas Web, é importante que o professor use essa tecnologia e ferramentas pedagógicas em consonância com os reais objetivos da educação. É preciso tornar o aluno agente do seu processo de ensino e não objeto do mesmo. Coutinho e Lisboa (2011) apud Castels (2002) apontam para uma questão de convergência entre tecnologia e ensino:

Convergência de tecnologias específicas para um sistema altamente integrado -- O contínuo processo de convergência entre os diferentes campos tecnológicos resulta da sua lógica comum de produção da informação, onde todos os utilizadores podem contribuir, exercendo um papel activo na produção deste conhecimento (COUTINHO; LISBOA, 2011, p. 4).

Ao utilizar um cenário virtual de aprendizagem disponível na Web enquanto alternativa pedagógica para produção de conhecimento, faz-se necessário entender que esse espaço online seja dinâmico e interativo. Sobre a criação de redes virtuais de aprendizagem, a Web disponibiliza uma variedade de ambientes propícios ao universo da aprendizagem colaborativa, um desses exemplos é a criação de wikis1:

O wiki é uma solução alternativa aos modos face a face tradicionais, com vantagem de ser assíncrona e deixar rastro da participação dos usuários. É colaborativo, aberto, tendo como objetivo a construção coletiva de um texto ou produção comum, de cuja autoria todos participam, não existindo propriamente uma versão final. A premissa fundamental na utilização da wiki é a crença na construção compartilhada do conhecimento, algo fundamental para aprender bem, nesse sentido, a proposta é centrada no aprendiz e no seu desenvolvimento cognitivo (MESSA, 2010, p. 11).

Tal ferramenta traduz em suma o que é a rede colaborativa de conhecimento, pois o professor, ao mediar as situações de aprendizagem, tornará a dinâmica de produção coletiva de conhecimento interativa e atraente. O ambiente virtual de aprendizagem é um sistema rico, que fornece suporte a qualquer tipo de atividade realizada pelo aluno, isto é, em conjunto de ferramentas que são usadas em diferentes situações do processo de aprendizagem (MESSA, 2010, p. 15).

A mesma autora chama a atenção para a produção coletiva de textos em wikis no sentido de que os alunos "encontrem dificuldades em produzir coletivamente, mas que os mesmos possuem uma interface de cooperação durante a produção (MESSA, 2010). Nesse processo de criação de wikis, os professores, ao mediarem a atividade online ou criando fórum de discussões, tornam os alunos agentes e ativos durante a atividade. O blog, por exemplo, funciona como um recurso atrativo enquanto ambiente virtual facilitador do processo de ensino-aprendizagem -- seja em uma turma de uma escola ou de uma instituição. Ao criar essa ferramenta gratuita na Internet, pode-se favorecer a produção e postagens da turma, trazendo a hipermídia para a sala de aula.

Senra (2011) conceitua tal ferramenta tecnológica como sendo:

Um blog, blogue, weblog ou caderno digital é uma página da WEB que permite o acréscimo de atualizações de tamanho variável chamados artigos ou posts. Estes podem ser organizados de forma cronológica inversa ou divididos em links sequenciais que trazem a temática da página, podendo ser escritos por várias pessoas, dependendo das suas regras (SERRA, p. 14, 2011).

De acordo com esse conceito, o referido ambiente torna-se importante ferramenta didática de construção coletiva entre professor-aluno de forma mediatizada, pois tal página da Web possibilita a postagem de arquivos e textos de uma turma, acesso a links de sites de diversas esferas do conhecimento, predominando nesse sentido a aprendizagem em rede. Para Manhães (2016), o wiki é uma ferramenta digital que possibilita interação ativa do aluno nos conteúdos apresentados, propiciando a construção coletiva e individual do conhecimento.

Aprendizagem colaborativa e em rede

As mídias e redes sociais dinamizaram as relações das pessoas e, nesse sentido, professores podem aproveitar desse universo das redes sociais, adequando as mesmas a contextos de ensino por meio da criação de redes colaborativas. Ao lançar mão desse recurso pedagógico, suas aulas tornam-se mais dinâmicas e atrativas. Um exemplo de rede colaborativa é o "Google for education, que apresenta os mesmos recursos do Google apps for business (formulários, planilhas, arquivos de texto, etc.), mas voltados para o uso nas escolas [...]" (SUNAGA E CARVALHO, 2015, p. 148).

Sobre a partilha e conhecimento colaborativos, os autores supracitados citam o Google Drive como um ambiente que:

Permite criar documentos que podem ser elaborados e editados de forma colaborativa e simultânea, promovendo a criação democrática do conhecimento. Os professores também podem criar e disponibilizar formulários on-line para tarefas e avaliações contendo figuras e links e cujas respostas podem ser em forma de texto, múltipla escolha ou parcialmente lacunas (SUNAGA; CARVALHO, 2015, p. 149).

Ao lançar mão dessa tecnologia, o professor será o mediador de tais situações de aprendizagem, tornando seus alunos protagonistas desse processo. De acordo com o sociointeracionismo proposto por Wygotsky (1998), a construção do conhecimento tem como base a mediação estabelecida por meio da relação dos sujeitos com o objeto e dos sujeitos entre si. Ao fazer uso de recursos tecnológicos, é necessário que o professor, como mediador, estabeleça essas condições de mediação didático-pedagógica. Vale ressaltar que é necessário que haja formação continuada desses profissionais da educação, em sua maioria imigrantes digitais, pois de acordo com Sunaga e Carvalho (2015, p. 152-153) "existem diversas opções para capacitação de docentes, algumas das quais são gratuitas e promovidas pelo governo dos estados ou pelo MEC [...]. Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia - Proinfo Integrado".

Evolução da web e seu aproveitamento como cenários virtuais de aprendizagem

A evolução da Web e da própria Internet ao longo do tempo permitiu que a dinâmica de interação dos usuários em rede fosse modificada no decorrer da História. As autoras Mallmann e Nobre (2017) tratam de tal evolução da seguinte forma:

A Web 1.0 lançou as bases para uma nova forma de conteúdo, o digital a um "clic" interativo. A Web 2.0 introduziu a educação online, as ferramentas de socialização em redes. A Web 3.0 permitiu criar o e-learning, o e-commerce. Estamos a caminho da Web 4.0? (MALLMANN; NOBRE, 2017, p. 3).

Como citado acima, a Web 3.0 fez com que surgisse a ferramenta e-learning (*do inglês: e-aprendizagem). O analógico foi substituído pelo digital, a Web interativa proporcionou às pessoas a possibilidade de interagirem umas com as outras. O conceito de *e-learning ("aprendizagem eletrônica") vai muito além do virtual, compreende um conjunto de ambientes virtuais depositados na rede Web. Os avanços da referida Web proporcionaram a criação de ambientes colaborativos de aprendizagem em rede, sendo uma alternativa a ser usada como metodologia no processo de ensino-aprendizagem. Sobre a evolução da Web, Mallmann e Nobre (2017) citam a Web 1.0 como sendo a primeira geração de sites de conteúdos (texto, imagem, vídeo, som) com páginas vistas individualmente. "Nesta 'Web pronta', o internauta é o espectador e o conteúdo é inalterado [...] já na Web 2.0 (conta-se) com atributos da Web participativa, Web colaborativa ou Web social" (MALLMANN; NOBRE, 2017, p. 4). No entanto, acompanhando tais evoluções, nasce a Web 3.0:

A Web 3.0 é a ideia de Tim Berners-Lee de que na Web seja possível que computadores analisem dados baseados em agentes inteligentes. É o que tem sido chamado de Web Semântica. A Web Semântica visa organizar o enorme volume de informações disponíveis, dependendo do contexto e necessidades de cada usuário, tendo em conta categorias como sua localização, preferências, etc. Importante ressaltar o papel dos currículos e dos materiais didáticos no campo da educação como estruturadores por natureza dos conteúdos considerados prioritários (MALLMANN; NOBRE, 2017, p. 6).

Junto com a Web 3.0, vem a ideia de interatividade, tornando-se cada vez mais móvel a partilha de informações por meio de uma maior conectividade entre os seus usuários. Para Bacich et al. (2015), a Web 3.0 e a Web 4.0 são construídas com tecnologias que permitem o armazenamento na nuvem, ou seja, a tecnologia cloud computing. Os avanços da Web semântica, ao proporcionarem o armazenamento de informações, permitem que educadores criem grupos de discussões em wikis e as informações disponibilizadas em links no Google docs*,* permitindo dessa forma a criação de ambientes colaborativos de aprendizagem mediados pelo professor. A Web 4.0 "referida por alguns no espaço digital como a Web inteligente, assusta e fascina, uma vez que pretende mergulhar o indivíduo num ambiente (Web) cada vez mais marcante" (MALLMANN; NOBRE, 2017, p. 6). Ao aproveitar os novos cenários virtuais de aprendizagem, educadores podem estar aproveitando o modelo e-learning, tomando como exemplo a rede social Facebook, em que pode se estabelecer hiperlinks para diversos sites de educação e conexões com vídeos educativos instalados no Youtube*.* O mesmo favorece o estabelecimento de relações informais e de confiança entre alunos e professores. Os autores Martins et al. (2015) enfatizam que ao utilizar o Facebook como ambiente virtual de aprendizagem, é necessário entender que:

Para que as atividades letivas possam iniciar, o professor apresenta aos alunos um link para uma pasta especialmente criada num repositório online (Google Drive), que contém todos os materiais e recursos didáticos necessários para a fase inicial. Posteriormente, o professor terá de dividir os alunos em grupos e apresentar a atividade de avaliação diagnóstica que vão ter que concluir num curto período de tempo (MARTINS et al. 2015, p. 15).

Ou seja, ao utilizar a plataforma do Google drive como recurso metodológico, estará fazendo produções e discussões textuais sobre determinado assunto, criação de web quests, formulários de perguntas e respostas, avaliações online, etc. Ao empregar essas tecnologias, "o papel do professor não deve ser mais o de um mero transmissor de conhecimento, mas o de um mediador da aprendizagem" (COUTINHO; LISBÔA, 2011, p. 6). Ao fazer essa mediação didática por meio de ambientes tecnológicos, o mesmo não irá substituir as atividades presenciais em sala de aula. Barreto (2005) enuncia que:

Os homens, ao produzirem as teias de significação para si mesmos, empregam meios técnicos/suportes materiais para transmitir as formas simbólicas, fundamentando assim sua vida social nos aspectos da produção, armazenamento e circulação da informação e do conteúdo simbólico (BARRETO, 2005, p. 113).

As palavras da autora nos dão a ideia das redes de interação disponibilizadas pela rede Web, que podem funcionar como suportes didáticos para a transmissão e reprodução do saber, em que essa teia de informação e comunicação possa ser usada para disseminação do conhecimento e a criação de redes de aprendizagem aberta e colaborativa. BOSI (1995) elucida-nos que:

De outro lado, é possível dizer que os próprios meios eletrônicos de comunicação, nas suas múltiplas formas de multimeios, proporcionam momentos de satisfação de nossas curiosidades; e, em um nível humano superior, propiciam momentos de interlocução com o semelhante, os sempre almejados momentos de comunicação, efeito nada desprezível, considerando quanto é grande a solidão do homem em uma sociedade de massa. E aqui se desfaria o paradoxo: o que parece feito para abreviar o tempo é usado para deixar passar o tempo (BOSI, 1995, p. 5).

Portanto, é preciso entender que mesmo fazendo uso de recursos tecnológicos e a rede Web, o papel do professor é imprescindível na mediação de tais aportes e ferramentas. Faz-se necessário frisar que a tecnologia é fruto da criação humana, não sendo o mestre o único responsável pela implantação de tais recursos, já que escola, comunidade, pais e poder público devem estar engajados no oferecimento e oportunização das referidas tecnologias. Educadores da atualidade, mesmo sendo imigrantes digitais, são os responsáveis pela mediação dos recursos tecnológicos, sendo imprescindível respeitar a autonomia da prática docente, e que esses recursos não são únicos e exclusivos a serem usados em sua prática docente, nem tampouco "a implantação de tecnologias educacionais não significaria necessariamente uma melhoria na qualidade da educação" (SUNAGA; CARVALHO, 2015, p. 153) e nem tampouco substituirão a educação presencial.

Considerações Finais

O uso das tecnologias digitais e ferramentas da Web, enquanto alternativas metodológicas, possibilita ao professor a mediação de atividades didático-pedagógicas em contextos educativos dentro e fora da sala de aula, como exemplo a criação de wikis e repositórios de escrita colaborativa em blogs, ou o próprio Facebook, ambientes virtuais de aprendizagem que permitem o acesso a links de textos e vídeos educativos.

Nesse sentido, é importante destacar que o uso dessas ferramentas deve ocorrer de forma planejada com objetivos planejados e definidos claramente. O propósito de tais atividades intermediadas com recursos da rede Web visam alcançar o êxito pedagógico por meio de resultados positivos. É preciso enfatizar o papel do professor de mediador de conhecimento ao fazer uso dessas metodologias ativas por meio da Web, e que o mesmo necessita de formação continuada.

Faz-se necessário ter presente que as tecnologias digitais devem ser vistas como alternativas à prática pedagógica do professor, e este deve ser visto como um pesquisador que deseja inseri-las de forma positiva na dinâmica de sala de aula. Como procurou-se apresentar durante todo este trabalho, as ferramentas tecnológicas em contextos educativos -- apesar de não serem um fim em si mesmas quando utilizadas em cenários educativos -- são, sem dúvida alguma, excelentes meios colaborativos do processo de ensino-aprendizagem; elas perfazem mais um recurso pedagógico a serviço da educação e do professor como mediador.

Referências

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  1. A Wikipédia é o maior e mais conhecido exemplo de wiki do mundo.